O farmacêutico
José não conseguia se decidir se oferecia sua ajuda ou chamava o IML assim que
Marcio e Chris entraram na farmácia.
Para quem não os conhecia poderia
firmemente acreditar que eles competiam entre quem tinha a pior gripe. Chris
trazia um terço a mão e andava como quem sobe a escadaria da penha pagando
pegados. Um passo de cada vez entre rezas e terços, tamanho era o medo de
chegar até o balcão. Marcio ia um pouco mais atrás como quem poderia correr tal
qual um coelho assustado por uma leoa a qualquer movimento brusco do homem de
branco.
- Ola. Posso ajudá-los ou termino de
matar logo?
Marcio e Chris se olharam com ódio. Pegaram justo um piadista nesse momento difícil. Chris puxou ar com a
pouca força que lhe restava pronta para responder com grosseria aquela afronta.
Marcio a cutucou com o cotovelo lhe fazendo um gesto como quem diz: “Não
compensa”.
- A minha amiga precisa de uma
aspirina.
- Ela precisa de um balde de
aspirina.
- Eu to tentando. Juro. – Disse
Chris bufando.
- Deixando um pouco o momento circo
de lado. – Disse Marcio com expressão de tédio dando uma forte chupada no
nariz. – O que o palhacinho recomenda pra ela?
- Muito difícil dizer. A senhora é
casada?
- Escuta meu amigo eu vim no mundo
pra ser santa... Então colabora.
José olhou para o teto dando um
forte suspiro.
- Tem que ser injeção. – Concluiu.
- O meu pai. – Agarrou o terço com
força.
Marcio já olhava por todos os lados
a saída de emergência com terror nos olhos.
- É só uma picadinha. – Tentou
acalmar os ânimos.
- Isso é papo furado do pernilongo
pra pernilonga. – Soltou Marcio raivoso.
- Quer ir primeiro? – Apontou José
para Marcio.
Chris olhou pra ele como quem
implora ajuda.
- Eu preciso segurar na mão dela.
- Não tem problema. Pode entrar os
dois.
José foi à frente indicando o
caminho.
- Eu vou, mas te levo junto.
- Ai Marcio eu não quero mais
brincar disso não.
- Eu te enforco com esse terço. –
Segurou firme a mão dela.
José preparava calmamente a injeção
no que mais parecia um ritual de tortura. A febre dos dois a esta altura já não
lhe permitiam distinguir se estavam na farmácia ou em um matadouro.
- Sarei gente. Meu Deus... Um
milagre. - Ria Chris histericamente.
Marcio virou-se de frente pra ela
segurando-a pelos ombros com força.
- Reage amiga. Tenha força, não se
entrega a loucura................. UI.
Ele mal percebeu a agilidade com que
Jose levantou sua blusa e lhe aplicou a injeção.
- Ele é o filho do cão Chris. Se
salva.
Chris virou bruscamente dando de
cara com a porta sanfonada já estrategicamente fechada atrás dela.
- Me tira daqui... Eu to BOA... TO ÓTIMA............
UI.
José era uma maquina sem sentimento.
- O total ficou em trinta e cinco
reais. – Disse segurando uma maquina de cartão.
Marcio tentou achar de onde ele
tinha tirado aquela maquina com tanta agilidade.
- Pago com ódio. Seu insensível. – Disse Chris entregando o cartão.
Saíram da farmácia como quem levou
uma surra se apoiando um ao outro em sinal de companheirismo.







4 comentários:
Muito bom, Márcio!!! Se não for o começo de uma história maior, já é um ótimo conto, um recorte divertido de um instante com um significado que não precisa ser explicado em antes ou depois. Mas se tiver continuidade esse enrendo, será muito bom :)
Grande abraço, Eduardo.
Muito bom continue assim!!!!
mau, adorei essa história, quando li a minha frase final, já imaginei minha cara: "pago com ódio!!" kkkkkk! muito boa Márcio!!! bjs!!!
Acho que tem alguém no caminho certo!!! Que chique tenho um amigo anual e escritor!!! Márcio sorte é quando a competência encontra a oportunidade, desejo a você muitas oportunidades, competência tá sobrando!!!Beijos Priscylla Facin
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