terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

AMIGOS ATÉ O FIM


             O farmacêutico José não conseguia se decidir se oferecia sua ajuda ou chamava o IML assim que Marcio e Chris entraram na farmácia.
            Para quem não os conhecia poderia firmemente acreditar que eles competiam entre quem tinha a pior gripe. Chris trazia um terço a mão e andava como quem sobe a escadaria da penha pagando pegados. Um passo de cada vez entre rezas e terços, tamanho era o medo de chegar até o balcão. Marcio ia um pouco mais atrás como quem poderia correr tal qual um coelho assustado por uma leoa a qualquer movimento brusco do homem de branco.
            - Ola. Posso ajudá-los ou termino de matar logo?
            Marcio e Chris se olharam com ódio. Pegaram justo um piadista nesse momento difícil. Chris puxou ar com a pouca força que lhe restava pronta para responder com grosseria aquela afronta. Marcio a cutucou com o cotovelo lhe fazendo um gesto como quem diz: “Não compensa”.
            - A minha amiga precisa de uma aspirina.
            - Ela precisa de um balde de aspirina.
            - Eu to tentando. Juro. – Disse Chris bufando.
            - Deixando um pouco o momento circo de lado. – Disse Marcio com expressão de tédio dando uma forte chupada no nariz. – O que o palhacinho recomenda pra ela?
            - Muito difícil dizer. A senhora é casada?
            - Escuta meu amigo eu vim no mundo pra ser santa... Então colabora.
            José olhou para o teto dando um forte suspiro.
            - Tem que ser injeção. – Concluiu.
            - O meu pai. – Agarrou o terço com força.
            Marcio já olhava por todos os lados a saída de emergência com terror nos olhos.
            - É só uma picadinha. – Tentou acalmar os ânimos.
            - Isso é papo furado do pernilongo pra pernilonga. – Soltou Marcio raivoso.
            - Quer ir primeiro? – Apontou José para Marcio.
            Chris olhou pra ele como quem implora ajuda.
            - Eu preciso segurar na mão dela.
            - Não tem problema. Pode entrar os dois.
            José foi à frente indicando o caminho.
            - Eu vou, mas te levo junto.
            - Ai Marcio eu não quero mais brincar disso não.
            - Eu te enforco com esse terço. – Segurou firme a mão dela.
            José preparava calmamente a injeção no que mais parecia um ritual de tortura. A febre dos dois a esta altura já não lhe permitiam distinguir se estavam na farmácia ou em um matadouro.
            - Sarei gente. Meu Deus... Um milagre. - Ria Chris histericamente.
            Marcio virou-se de frente pra ela segurando-a pelos ombros com força.
            - Reage amiga. Tenha força, não se entrega a loucura................. UI.
            Ele mal percebeu a agilidade com que Jose levantou sua blusa e lhe aplicou a injeção.
            - Ele é o filho do cão Chris. Se salva.
            Chris virou bruscamente dando de cara com a porta sanfonada já estrategicamente fechada atrás dela.
            - Me tira daqui... Eu to BOA... TO ÓTIMA............ UI.
            José era uma maquina sem sentimento.
            - O total ficou em trinta e cinco reais. – Disse segurando uma maquina de cartão.
            Marcio tentou achar de onde ele tinha tirado aquela maquina com tanta agilidade.
            - Pago com ódio. Seu insensível. – Disse Chris entregando o cartão.
        Saíram da farmácia como quem levou uma surra se apoiando um ao outro em sinal de companheirismo.
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4 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom, Márcio!!! Se não for o começo de uma história maior, já é um ótimo conto, um recorte divertido de um instante com um significado que não precisa ser explicado em antes ou depois. Mas se tiver continuidade esse enrendo, será muito bom :)

Grande abraço, Eduardo.

Anônimo disse...

Muito bom continue assim!!!!

chris disse...

mau, adorei essa história, quando li a minha frase final, já imaginei minha cara: "pago com ódio!!" kkkkkk! muito boa Márcio!!! bjs!!!

Anônimo disse...

Acho que tem alguém no caminho certo!!! Que chique tenho um amigo anual e escritor!!! Márcio sorte é quando a competência encontra a oportunidade, desejo a você muitas oportunidades, competência tá sobrando!!!Beijos Priscylla Facin