sexta-feira, 9 de março de 2012

KLAUS

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            O milionário Rubens desceu da limusine no mesmo instante em que ela parou na porta de entrada de sua enorme mansão. Bebia uma garrafa de champagne direto do gargalo com toda animação possível. A julgar pela quantidade que restava na garrafa e pela maneira que ele dançava e cantarolava até a porta, o efeito do álcool já se fazia efeito. Os seguranças armados se posicionaram para proteger o lugar e o chefe.
            Fechou a porta assim que passou por ela. Colocou a garrafa em uma mesinha de aspecto antigo ao lado da porta. Foi até a geladeira, pegou uma garrafa de vinho, encheu uma taça e continuou cantando no melhor estilo Fred Astaire ate a sala. Ligou o som de ultima geração e a música de Frank Sinatra se espalhou pelo ar.
            Dançava tão alegremente que nem ao menos se deu conta de que uma figura o observava parado sem o menor receio de ser visto.
            Rubens deixou a taça cair ao chão assustando com aquela invasão assim que virou em um rodopiu.
            - Devo confessar que seu sistema de segurança é ótimo. – Disse o homem calmamente apertando um botão de um controle rústico.
            Uma placa de ferro começou a baixar rapidamente nas janelas e portas impedindo qualquer pessoa de entrar e sair. Rubens correu rapidamente na tentativa de escapar. A adrenalina parecia fazer o álcool evaporar do seu corpo.
            - Por favor. Você sabe melhor do que ninguém que não há meios de sair. – Concluiu o homem ainda parado sem pressa.
            Os seguranças do lado de fora se agitaram apavorados com a situação. Como entrariam para proteger alguém?
            - Sério mesmo Rubens. Esse sistema deve ter custado uma fortuna. Infelizmente não te protegeu de mim.
            Rubens não sabia exatamente para que lado correr. Desesperou-se até cair ao sofá desistindo de reagir.
            - Mas confesso. Não é qualquer um que consegue alterar as configurações.
            Assim que caminhou até onde se expôs a luz, Rubens olhou um homem de aproximadamente trinta anos de idade. Corpo forte sem exagero usando uma roupa preta tão colada ao corpo que mais parecia ter sido vestida a vácuo. Cabelo preto para trás como se uma grande quantidade de gel havia sido passada ali. Nem um fio se mexia. Pele branca e rosto completamente tranqüilo a ponto de causar medo. Seu olhar era fixo e vazio. Mas o que mais chamava a atenção era a quantidade de laminas de aço que lhe rodeava toda a cintura. Algumas reluziam refletindo a luz enquanto ele caminhava.
            - Você sabe por que estou aqui... Não sabe?
            Rubens engoliu seco travado demais pelo medo para responder.
            - Pode responder... Ei... Relaxa... Fica tranqüilo. – Soou como um amigo de bar. – Quer um vinho? – Olhou a taça ao seu pé quebrada ao chão com vinho derramado. – Ainda temos meia hora até que aqueles idiotas lá fora consigam abrir a porta. Da tempo de um último trago.
            - Como você sabe tanto da minha casa?
            - Ah, por favor. Não sou um garoto que rouba carros. – Abriu uma caixa de charuto ao lado dele, pegou um, cheiro gostosamente. – Esse parece do bom. – Acendeu com uma caixa de fósforos dando uma gostosa tragada.
            - Quem te mandou aqui? – Rubens passava a mão na testa e cabelo secando o suor nervosamente.
            - Você já roubou de gente importante. Trapaceou. Foi esperto. Mas a transação de hoje mexeu com alguém que realmente é vingativo. E quando essas pessoas vingativas com muito dinheiro resolvem tomar uma atitude sem se sujar... Chamam a mim.
            - Você é o Klaus... Já ouvi falar de você.
            - Não sei se isso é bom. Ajuda a arrumar mais trabalho... Mas por outro lado perde a graça da surpresa.
            Os dois se olharam. Rubens tinha um medo terrível no olhar. Klaus mantinha o seu frio e calculista com um leve sorriso no canto da boca.
            - Então Rubens. Como prefere morrer?
            Rubens levantou com a intenção de sair correndo em desespero. Em um movimento rápido, Klaus jogou uma das afiadas laminas de sua cintura varando o pé de Rubens o prendendo no chão. O grito de dor foi alto e forte. Não havia como ele andar. Agachou-se na tentativa de puxar a lamina. O objeto era tão afiado que lhe cortou a mão.
            - Mesmo que me mate... Nunca mais ele vai ver o dinheiro.
            - Não se preocupe com isso. Eu já resolvi tudo.
            - Como?
            - Com a sua senha...  Poodle1975... O ano em que seu amado cachorrinho morreu. Depois disso ficou fácil transferir para uma conta secreta.
            Rubens mal acreditava no que ouvia. Como ele pode saber tanto?
            - Eu ia te dar a opção de escolher seu tipo de morte. Agora vai ser do meu jeito.
            Klaus tirou lentamente uma lamina da cintura encarando firme Rubens.
            - Alguma última palavra?
            - Vai pro inferno.
            - Eu já estou nele.
            O Golpe foi rápido como o estalo de um chicote. A garganta se abriu e o sangue escorreu. Nem um único gesto de piedade foi expresso no rosto de Klaus. Nada. Ele não sentiu nada. Seu coração nem ao menos se acelerou.
            Do lado de fora os seguranças olharam surpresos as enormes placas de aço abrir sozinhas. Empunharam as armas prontos para usá-las. Entraram correndo na mansão. Rubens estava ajoelhado no chão. O sangue escorreu-lhe o corpo fazendo uma poça aos seus pés.